Ahú
Alto da Glória
Alto da XV
Bacacheri
Cabral
Cristo Rei
Hugo Langue
Jardim Botânico
Jardim Social
Juvevê
Tarumã
 
 
Curitiba - PR
30.000 Exemplares
Diretor: João Aloysio
Ano XVI
nº 195 / Janeiro 2008

Editorial
Curitiba cresce economicamente, mas também crescem a miséria e marginalidade
Curitiba é uma cidade que tem crescido a olhos vistos, tanto em desenvolvimento econômico quanto em população. Em contrapartida, um dos preços pagos por cidades que passam por esse processo, nesse país de grandes desigualdadessociais, é o aumento da miséria e marginalidade.

E aqui não tem sido diferente. É flagrante o aumento do número de mendigos, marginais, menores de rua e batedores de carteira a circular pela cidade. Em regiões como o centro, todo cuidado é pouco para proteger o carro, bolsas, carteiras e celulares de eventuais furtos. O cenário é mais decadente à noite pela presença de mendigos e marginais circulando ou dormindo à porta dos edifícios ou pelas praças. A avenida Sete de Setembro também é outra região tomada por marginais, mendigos e moradores de rua. Estes últimos são encontrados, inclusive, reunidos em grupos dormindo à beira das portas dos elegantes edifícios ali presentes. Nas imediações das ruas 24 de Maio e Alferes Poli, próximo ao centro, a realidade é similar. Mesmo durante o dia, é possível encontrar moradores de rua em extremas condições de marginalidade dormindo enrolados em cobertores, sujos, maltrapilhos e provavelmente bêbados ou drogados e deprimidos. Talvez, boa parte desses mendigos sejam inofensivos, pois, visivelmente sequer dão conta de cuidarem de si mesmos, de reunirem esforços para se manterem em pé e empreenderem algum ato criminoso ou agressivo. Além de não se poder julgar a índole de alguém apenas por sua vida à margem da sociedade. A praça Rui Barbosa é outro ponto onde as condições miseráveis em que vivem curitibanos da base mais inferior da pirâmide social pode ser flagrada. Além da rotina dos batedores de carteira, lá é possível presenciar cenas tristes e decadentes, a exemplo do que aconteceu diante dos passantes do local poucas semanas atrás, antes do Carnaval. No meio da tarde de um dia de trabalho, um menor de rua, provavelmente de seus oito anos, foi visto caído ao chão num local de intenso fluxo de pessoas, próximo à Matriz da Rua da Cidadania. Se estava dormindo ou sob efeito de drogas ou bebidas parece que pouco importava para todos que passavam indiferentes a ele. Como se todos estivessem anestesiados diante de uma situação que já virou rotina... Curitiba também é uma cidade repleta de catadores de papel. São famílias batalhadoras, que encontraram um jeito de sobreviver numa cidade que prima, com distinção no país, pela reciclagem do lixo. Entretanto, o que é de causar indignação é a presença de crianças e adolescentes trabalhando ou acompanhando o trabalho dos pais. É possível encontrá-las com os carrinheiros até mesmo à noite. Essa é uma realidade que merece mais atenção do poder público, uma vez que esses menores deveriam estar entretidos com atividades escolares, esportivas, culturais ou brincadeiras saudáveis. Ao invés de terem de se transformar em adultos em miniatura participando de uma realidade sem perspectivas. Diante de todo esse cenário cruel e devastador, a grande questão colocada aqui é: o que acontece com o gigantesco poder público em todas as suas esferas que não tem dado conta (ou não quer) de governar também para essas pessoas em condições de absoluta marginalização? Evidentemente, esperamos que nossos governantes trabalhem para embelezar e viabilizar os aspectos materiais da cidade, investir em infra-estrutura, melhorar o trânsito e transporte e construir obras fundamentais. Porém, é muito sensato que todos anseiem por mais do que o concreto dos asfaltos e obras. Que esperem ações voltadas para o humano, para o social e conseqüentemente para oferecer uma vida digna a todos, especialmente aos mais pobres, que constituem a parcela mais vulnerável da sociedade. E a sociedade também não deve ficar omissa a esse problema. Temos de deixar de lado o individualismo e investir na solidariedade. Foi-se o tempo do “cada um por si e Deus por todos”. Não só Curitiba, mas o mundo todo enfrenta problemas de miséria e violência que não vão ser solucionados se todos deixarem por conta dos governantes. Sem a participação da sociedade essa realidade não vai melhorar. Precisamos de uma cidade mais solidária, mais sensível às necessidades de nossos semelhantes. Uma campanha de estímulo à solidariedade, talvez, de iniciativa do poder público, seria providencial. Além do mais, essa não é uma questão unicamente de solidariedade. É uma questão prática e de muita lógica. Trata-se da necessidade de cuidar das partes para poder cuidar do todo. Quando determinados setores da sociedade não estão bem, fatalmente, mais cedo ou mais tarde, o todo passa a ser prejudicado. Pois estamos todos conectados, vivendo de forma interligada na mesma sociedade. Se nos isolamos e permanecemos alheios a um problema que consideramos “dos outros”, inevitavelmente esse problema passa a ser nosso também. Como já está acontecendo. É lamentável que muitos só percebam isso quando essa realidade invade suas vidas particulares, na forma de um ladrão, assaltante ou seqüestrador ou pela crescente epidemia de medo nas grandes cidades.

 

      ___________________   ___Publicidade
     
 
 
 

 





 
R: Prof. Raul P. Machado, 613 | Bacacheri | Tel. (41) 3363 0971 agendalocal@yahoo.com.br