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Curitiba - PR
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Diretor: João Aloysio
Ano XVI
nº 195 / Janeiro 2008

Opinião
Esperamos mais do que a piedade de nossos governantes para conter a violência!
Logo depois do Carnaval, a coluna do jornalista Gilberto Dimenstein, da Folha de São Paulo, publicada no dia 06/02, causou rebuliço em Curitiba. Tudo porque a cidade virou notícia nacional por conta de um problema crescente que qualquer cidadão, mesmo sem o amparo dos números, tem se dado conta dia após dia: o aumento da violência urbana.

O artigo do colunista, intitulado ‘Curitiba dá pena’, trouxe uma dimensão mais palpável ao problema, em função dos dados numéricos retirados de recente relatório divulgado pelo Ritla (Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana) que traçou o Mapa da Violência nos municípios do país. Segundo esse relatório, a capital apresenta uma taxa anual de assassinatos de 44,7 para cada 100 mil habitantes. Uma taxa muito maior que a média nacional (24) e muito maior até que a de São Paulo, que apresenta um índice de 31,1 assassinatos. E quem diria... Estamos muito próximos da média de assassinatos do Rio de Janeiro, que é de 44,8!Quem dera tivéssemos em comum com o Rio a exuberância do Carnaval, ao invés da epidemia de violência... Para corroborar a pesquisa, penas durante os festejos do Rei Momo foram registrados 26 assassinatos em Curitiba e Região Metropolitana. Sabemos que esses crimes são provocados por diversos motivos, entre eles, assaltos e briga de bêbados. Mas, a verdade é que boa parte dos assassinatos decorrem do tráfico de drogas. Curitiba está na rota do tráfico que parte de Foz do Iguaçu para a região Sul, especialmente para os litorais do Paraná e Santa Catarina. A guerra do tráfico nas favelas da região já extrapolou a dimensão geográfica dessas comunidades. Recentemente, um assassinato motivado por um acerto de contas entre usuário e traficante foi presenciado por inúmeros motoristas e pedestres em plena avenida Visconde de Guarapuava, por volta das 17 horas. É de dar pena, mesmo, uma cidade que se projetou nacionalmente por ser modelo em qualidade de vida, transporte, ecologia, cultura e projetos arquitetônicos ter de passar por isso... Mas essa é uma cidade (e Região Metropolitana) que pecou, em muito, na questão social. Esse é um problema já decorrente de diversas administrações passadas e que agora eclode com o inchaço populacional, revelando uma capital e Região Metropolitana despreparadas para atender à horda de migrantes de outras cidades e estados que aqui chegam em busca de melhor emprego, saúde, educação e renda. A questão, aqui, não é responsabilizar a migração em si, mas o despreparo (e desinteresse) de governos passados em atender a essas novas demandas, bem como em conter o êxodo rural, que trouxe muita gente do campo em busca de melhores oportunidades na então chamada cidade-modelo e Região. Embora a segurança pública seja de responsabilidade dos governos estadual e federal, é fundamental que o poder municipal contribua para a solução dessa questão. A violência urbana é resultado de uma série de fatores que desembocam numa causa primordial: a desigualdade social. Não há como negar que exista uma estreita relação entre miséria e criminalidade. Apesar de haver muita gente trabalhadora e de bem residindo em favelas e nas periferias urbanas, é inegável que muitos partem para o crime por falta de perspectivas e oportunidades de trabalho, educação e renda. É necessário que as três esferas do poder realizem um trabalho conjunto, com ações mais efetivas para a modificação da realidade de regiões com altas taxas de criminalidade. Combater a violência, é evidente, passa pelo aumento e capacitação do efetivo policial civil e militar. O trabalho da Guarda Municipal também precisa ser revisto e aprimorado. Pois, é mais fácil encontrar pelas ruas fiscais da Diretran ávidos por cobrar multas do que integrantes da Guarda. Por outro lado, é importante ressaltar que o reforço no policiamento isoladamente não é suficiente. Paralelamente à repressão, são necessárias ações preventivas que combatam as causas da criminalidade. Enquanto os governos continuarem transferindo responsabilidades, o problema não vai acabar. Tende a piorar. Nesse ano eleitoral, a violência e a criminalidade em Curitiba e Região deverá entrar na pauta durante a campanha. É hora de estarmos atentos e depois cobrarmos dos futuros prefeitos programas mais incisivos para atenuar o quadro. Essas novas propostas precisam estar articuladas com os governos estadual e federal. É inadmissível que o executivo municipal desconsidere a segurança e integridade dos cidadãos que os elegem. E o legislativo também deve participar na busca de soluções. Não elegemos vereadores para gastarem tempo e dinheiro criando dia de torcedor de futebol, nomes de praças e logradouros em homenagema falecidos de destaque e outras irrelevâncias.

 

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